quinta-feira, 22 de abril de 2010
Explode Coração
Explode Coração
Gonzaguinha
Composição: Gonzaguinha
Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar e eu não quero mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor
E entregou o que você tentou conter
O que você não quis desabafar
Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar
E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver
Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim
Como se fosse o sol desvirginando a madrugada
Quero sentir a dor desta manhã
Nascendo, rompendo, rasgando, tomando, meu corpo e então eu
Chorando, sorrindo, sofrendo, adorando, gritando
Feito louca, alucinada e criança
Eu quero o meu amor se derramando
Não dá mais pra segurar, explode coração...
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Carnaval do Recife

Ascenso Ferreira
(1895-1965)
Meteram uma peixeira no bucho de Colombina
que a pobre, coitada, a canela esticou!
Deram um rabo-de-arraia em Arlequim,
um clister de sebo quente em Pierrô!
E somente ficaram os máscaras da terra:
Parafusos, Mateus e Papangus...
e as Bestas-Feras impertinentes,
os Cabeções e as Burras-Calus...
realizando, contentes, o carnaval do Recife,
o carnaval mulato do Recife,
o carnaval melhor do mundo!
- Mulata danada, lá vem Quitandeira,
lá vem Quitandeira que tá de matá!
- Olha o passso do siricongado!
- Olha o passo da siriema!
- Olha o passo do jaburu!
E a Nação-de-Cambinda-Velha!
E a Nação-de-Cambinda Nova!
E a Nação-de-Leão-Coroado!
- Danou-se, mulata, que o queima é danado!
- Eu quero virá arcanfô!
Que imensa poesia nos blocos cantando:
"Todo mundo emprega
grande catatau,
pra ver se me pega
o teu olho mal!"
- Viva o Bloco das Flores! Os Batutas!
Apois-fum!
(Como é brasileira a verve desse nome: Apois-fum!)
E o Clube do Pão Duro!
(É mesmo duro de roer o pão do pobre!)
- Lá vem o homem dos três cabaços na vara!
"Quem tirar a polícia prende!"
- Eh, garajuba!
Carnavá, meu carnavá,
tua alegria me consome...
Chegô o tempo das muié largá os home!
Chegô o tempo das muié largá os home!
Chegou lá nada...
Chegou foi o tempo delas pegarem os homens,
porque chegou o carnaval do Recife,
o carnaval mulato do Recife,
o carnaval melhor do mundo!
- Pega o pirão, esmorecido!
De Chapéu-de-sol Aberto
De chapéu de sol aberto
Pelas ruas eu vou
A multidão me acompanha, eu vou
Eu vou e venho pra onde não sei
Só sei que carrego alegria
Pra dar e vender
(deixa o barco correr)
Espero um ano inteiro
Até ver chegar fevereiro
Pra ouvir o clarim clarinar
E a alegria chegar
Essa alegria que em mim
Parece que não terá fim
Mas, se um dia o frevo acabar
Juro que eu vou chorar.
Marcha Da Folia

Blocos das flores por onde passa
semeia com tal graça
ao som de lindas canções.
E os esplendores desta alegria
que as almas extasia
e apaixona os corações.
Viva a folia do carnaval (bis)
intensa alegria sem outra igual.
Que ouvidar faz a dor ferina
que nos ensina a sorrir e amar.
Temos a vida só dissabores,
tristeza e amargores
e a desilusão final.
Mas de vencida o mal levemos
esqueçamos que sofremos
divertindo o carnaval.
Viva a folia do carnaval (bis)
intensa alegria sem outra igual.
Que ouvidar faz a dor ferina
que nos ensina a sorrir e amar
ÚLTIMO REGRESSO
(GETÚLIO CAVALCANTI)
FALAM TANTO QUE MEU BLOCO ESTÁ
DANDO ADEUS PRÁ NUNCA MAIS SAIR
E DEPOIS QUE ELE DESFILAR
DO SEU POVO VAI SE DESPEDIR
NO REGRESSO DE NÃO MAIS VOLTAR
SUAS PASTORAS VÃO PEDIR
NÃO DEIXEM, NÃO
QUE UM BLOCO CAMPEÃO
GUARDE NO PEITO A DOR DE NÃO CANTAR
UM BLOCO À MAIS
É O SONHO QUE SE FAZ
NOS PASTORIS DA VIDA SINGULAR
É LINDO VER
O DIA AMANHECER
COM VIOLÕES E PASTORINHAS MIL
DIZENDO BEM
QUE O RECIFE TEM
O CARNAVAL MELHOR DO MEU BRASIL
FLABELO DAS ILUSÕES
chora violão
o meu coração é assim
ah, linda pastora de voz tão macia
canta meu verso, minha melodia
enquanto há tempo para se cantar
ah, viver assim não é sonhar à toa
eu faço parte dessa gente boa
que ainda voa atrás de luar
vê, o meu recife se enfeitou demais
olha, até o rio parou de correr
só prá ver meu bloco de recordações
com um flabelo feito de ilusões
me levando de volta prá você
Piaba de Ouro

(Lula Queiroga e Erasto Vasconcelos)
Hoje eu não quero saber
Hoje eu não sei de nada
Eu só quero escutar esse baque
Que faz o meu corpo arrepiar
É de maracatu é de jóia rara
É o meu pernambuco de pé
Quero subir para ver
Caboclo de lanca no alto da sé
Olha quem vem lá
Quê bonito ver
A moça que ginga no baque Solto
Estrela brilhante
Piaba de ouro eu quero ver