sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Estrelas


Ainda que nossas Luzes
Ofusquem o seu brilho,
Ainda que o tempo nublado
Não nos permita ver,
As estrelas
Sempre brilham para nós

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Força Nordeste


(Giovanni Gouveia, Adriana Black, Henrique Black, Yolanda Black )

"Essa terra troncha
Linda, Seca e Fértil
Essa região, que faz comunhão
Esses cactus machos
Força do Destino
Não livre o caminho
De se retirar
Esse povo doido
Forte como a terra
Que com a esperança
Vai vivendo
Esse chão esquecido
Que com a chuva
Explode em verde
Festa boa pra danar..."

1985

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Poemas de lola aronovich 2

“Deixe de imaginar coisas.
Me dê sua mão,
E esqueça a imaginação.
Voe,
cante
e me ame.
Amanhã,
você vai para a escuridão.

Você canta,
você voa,
mas não me ama.
Você fez uma canção
mas não me deu
a sua mão.
Meu amor,
é porque você gosta
da multidão.”

Poemas de lola aronovich 1

“Meu coração é teu.
Não chore e não tente.
Bato azar, tum tum.”

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eu Nunca Guardei Rebanhos

Alberto Caeiro

I -

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pesadelo

(Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro)

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha aí